No calendário das comemorações do centenário de Franklin Cascaes, o próximo dia 10 de maio, sábado, será lançado na Megastore da Livrarias Catarinense, no centro da cidade, às 10 horas, o livro Franklin Cascaes, o mito vivo da Ilha, de Adalice Maria de Araújo.
Nesta obra a autora faz uma análise dos aspectos lúdico, profano e religioso da obra de Franklin Cascaes, do processo criativo como desenhista, ceramista e escultor e do registro e ilustração de elementos fantásticos como bruxas e lobisomens, enfim, o rico imaginário sobrepondo-se ao real, ao cotidiano.
“Essa é uma obra destinada a quem deseja entender melhor a cultura de Florianópolis e região, por meio de uma de suas figuras mais emblemáticas”, afirmou Adalice.
A obra derivou de outra, Mito e magia na arte catarinense, lançada em 1978, tese na qual a autora analisava a produção artística em terras de Santa Catarina e que repercutiu numa mostra sobre o tema na I Bienal Latino-americana de São Paulo, no mesmo ano.
A leitura de Adalice Araújo – que fez uma série de entrevistas com o artista em 1977 – alcança também o mundo mítico ilhéu, com suas bruxas, lobisomens e assombrações, os diferentes ciclos da mitologia catarinense, as narrativas e festas profanas e religiosas e os principais hábitos e costumes trazidos pelos colonizadores açorianos.
O prefácio do livro, que apresenta um misto de testemunho e crônica de saudade, é escrito pelo museólogo Gelcy Coelho, o Peninha, que é o mais respeitado seguidor de Cascaes, a quem conheceu no início dos anos 70.
Nas reminiscências, Peninha fala do processo de trabalho de Cascaes, de seu inseparável caderno de anotações e das entrevistas que fez em todos os cantos da Ilha acompanhado da mulher, a professora Elizabeth Pavan Cascaes, que tocava piano e bandolim e foi o arrimo do mestre durante seus longos anos de pesquisas.
A autora chama a atenção também para a pureza infantil que caracteriza a obra de Cascaes, para a matriz popular que a inspirou, para o underground mítico que o inscreve na linhagem dos mestres fantásticos e surrealistas. Os registros escritos e os trabalhos bidimensionais e tridimensionais – um legado de cerca de 2.700 peças, incluindo esboços, composições, desenhos e figuras em argila e gesso – possuem uma imensurável importância documental, porque ajudam a preservar a rica tradição mítica do povo ilhéu.
A questão da bruxaria merece uma atenção especial, com uma longa análise das categorias bruxólicas, sua caracterização e iniciação, aspecto físico, locais onde aparecem, as metamorfoses, os congressos e até as armadilhas utilizadas pelos mais receosos para neutralizar as ações das bruxas. Também há em Cascaes um sentido lírico e erótico que permeia as relações entre bruxas e boitatás, que se afina com a atmosfera onírico-mágica da Ilha. Esse era um tema caro ao pesquisador, que tem partes de seus relatos reproduzidas no livro de Adalice Araújo, assim como desenhos em nanquim e minúsculas esculturas em argila retratando bruxas como as descritas pelos antigos moradores do interior de Florianópolis.
A autora do livro também se detém na descrição do ambiente em que se deu a formação do artista. A vida em Itaguaçu, bairro então pertencente ao município de S&ati