A qualidade das ostras cultivadas no Litoral Catarinense e a rapidez com que se desenvolvem neste clima subtropical - em apenas seis meses - animam os produtores a buscarem mais mercados, especialmente o europeu, que paga bem. A ostreicultura é um dos segmentos da aqüicultura e da pesca que enfrenta mais dificuldades no momento, mas o cenário futuro é animador, na avaliação do presidente da Federação das Empresas de Aqüicultura de Santa Catarina, Fabio Brognoli.
O consumo de peixes, por sua vez, motiva o maior pólo pesqueiro do Brasil, situado em Itajaí e região. O crescimento da renda da população brasileira está incrementando a venda de peixes e frutos do mar. Essa nova fase aparece nos números: no ano passado, as vendas de pescados, no Brasil, cresceram 20%, e, para este ano, as projeções são de expansão da ordem de 10%, afirma Dario Luiz Vitali, presidente do Sindicato das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região.
Os esforços para ampliar as vendas são permanentes, mas o segmento de aqüicultura do Estado, que lidera a produção de ostras e mexilhões no país, tem um desafio bem maior, o de reconquistar mercados. Isto porque as vendas caíram cerca de 60% no ano passado, após informação, incorreta, de que um músico do Nordeste teria morrido depois de consumir ostras. Uma semana depois, os exames comprovaram que ele foi vítima de meningite. Além disso, o consumidor não está convencido ainda de que o controle sobre a ocorrência de maré vermelha, feito permanentemente, nos vários pontos de produção em SC, é confiável.
A aqüicultura conta, em SC, com cerca de 900 produtores, que oferecem 6 mil empregos diretos e respondem por 95% da produção nacional. A atividade se diferencia por utilizar mão-de-obra local, preservar a natureza e incrementar o turismo, entre outros benefícios.
Conforme Fabio Brognoli, a Grande Florianópolis tem cinco empresas com selo de inspeção federal (SIF) que vendem ostras para todo o Brasil. A Fazenda Atlântico Sul, do Ribeirão da Ilha, na Capital da qual ele é um dos cinco sócios, começou a vender, inclusive, para Manaus, onde as ostras demoram 48 horas para chegar pelo transporte aéreo.
- Nossa meta é ingressar no mercado europeu, onde poderemos obter preços mais altos. Hoje, o produtor ganha, em média, R$ 3 por dúzia. Em Portugal, o consumidor paga 12 euros (R$ 32,5) por dúzia - diz Brognoli.
Mas para chegar à Europa, cujo transporte aéreo pode ser feito em 24 horas, os ostreicultores precisam do Plano Nacional de Sanidade de Moluscos, cujo projeto evolui muito lentamente porque a Secretaria Especial da Pesca e Aqüiculutra (Seap) não é ministério.
Fonte: Sebrae-SC