Conhecimento aplicado sobre quatro rodas
Pela primeira vez uma universidade do Sul do país vai disputar o Campeonato Mundial de Mini Bajas, realizado em junho, nos Estados Unidos. A vaga garantida na competição internacional foi conseguida com o trabalho em equipe de 21 estudantes de Engenharia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Mini baja é um veículo de quatro rodas, utilizado em trajetos fora-de-estrada (off-road) e projetado para um ocupante.
Após a conquista inédita, os alunos aceleram atrás de patrocínio. Eles tentam conseguir passagens aéreas para pelo menos 15 integrantes da equipe, além de pagar o transporte do veículo que será usado na competição. Os estudantes calculam um gasto entre R$ 80 mil a R$ 100 mil.
A vaga para disputar o mundial veio depois da competição nacional, realizada em Piracicaba (SP). Para participar do campeonato, eles precisaram buscar recursos financeiros e materiais, projetar e fabricar dois mini bajas. Além disso, tiveram que desenvolver um trabalho teórico sobre o projeto.
A criação do veículos ainda envolve tarefas que fogem do curso de Engenharia, como trabalhar com marketing, administração e recursos humanos.
O grupo competiu na cidade paulista contra outras 72 equipes. A competição tem provas estáticas, como a apresentação do projeto, segurança e conforto, e provas dinâmicas, como a de tração.
A principal delas é o enduro, que testa a confiabilidade do mini baja. Nessa prova, o veículo precisa rodar por quatro horas seguidas. Um dos carros da UFSC conquistou o primeiro lugar na prova de enduro, o que garantiu o terceiro lugar no pódio. Somente os três primeiros colocados ganham o direito de disputar o campeonato mundial.
Qualquer aluno do curso de Engenharia pode participar
A Equipe UFSC Baja SAE foi criada em 1998 e atualmente está com 21 alunos. O capitão da equipe e um dos mais veteranos dela, Gabriel Roriz, explica que qualquer aluno de Engenharia pode participar e não é necessário estar cursando alguma fase específica.
– Pode estar na quarta e até mesmo na primeira fase. Vai do interesse do aluno em buscar o aprendizado extraclasse.
Outro veterano da equipe, Joseph Pedro Matiello, também garante que não há critério de seleção quanto às fases e que geralmente os alunos permanecem no projeto por dois a três anos. Além disso, Joseph observa que para fazer parte do projeto é preciso dedicação.
– Todo mundo aqui é voluntário. O trabalho é pesado e foge dos horários padrões de aula. Geralmente ficamos aqui até tarde da noite.
A disputa internacional é muito mais acirrada do que a nacional, porque são cerca de 120 equipes competindo. Além disso, as equipes internacionais têm mais recursos para desenvolver o projeto.
Contudo, os representantes da UFSC afirmam que, apesar de não terem tanto dinheiro, as faculdades brasileiras competem num nível muito alto.
– Tanto que sempre temos grupos de outros países que vêm disputar o campeonato nacional. E o Brasil tem a maioria das vitórias na competição mundial – observa Joseph.
Além de ir atrás de patrocínio, os alunos correram contra o relógio para adequar o projeto à competição internacional.
– A gente achava que podia conseguir uma vaga, mas não nos preparamos pra isso. Tivemos até o dia 4 de maio para enviar o relatório do projeto e ainda traduzir o trabalho para o inglês – revela Gabriel.
julia.antunes@diario.com.br
JÚLIA ANTUNES LORENÇO
Fonte: Diário Catarinense
bad credit payday advance