Reflexões históricas, culturais e trabalhistas. Essas são algumas das lembranças que muitos funcionários que atuaram na mina PR, da extinta Companhia Brasileira Carbonífera Araranguá (CBCA), terão a partir do momento em que o local for reaberto.
O projeto para torná-la a única do Brasil como ponto de visitação está ganhando proporções em Criciúma. Uma vistoria já foi realizada pelo engenheiro de mina Cláudio Zilli e constatou que a galeria está em perfeitas condições para reabertura.
De acordo com Zilli, a galeria central varia de 2 a 2,5 metros de altura por 3 metros de largura. O próximo passo é fazer o mapeamento do local, limpeza das galerias, boca de concreto e oferecer segurança para quem for visitar a mina. As características dessa são as mesmas da mina modelo. “Isso significa o resgate turístico e cultural. Muitas escolas poderão levar os alunos para conhecer e fazer pesquisas de quem fez parte da história da cidade”, disse.
Nesta semana, mais uma boa notícia, a juíza Eliza Maria Strapazzon, autorizou, a entrada dos técnicos na área, bem como o devido aparelhamento com vistas à viabilização da visitação pública.
A mina - que estava desativada há 37 anos - era antes explorada pela agora Massa falida da Cia. Brasileira Carbonífera de Araranguá – MFCBCA, situada na área PR4, localizada entre os bairros Archimedes Naspolini e Mina do Mato, com ramificação para a localidade de Lote Seis e para a Mina Brasil (bairro Cruzeiro do Sul). A intenção do governo municipal é inaugurar, a Galeria dos Mineiros, no dia 1º de janeiro de 2010.
Mineiro aposentado relembra trabalhos na mina PR
O mineiro aposentado, Silvino Sartor, de 72 anos, conta com detalhes a época em que trabalhava na mina PR, da extinta Companhia Brasileira Carbonífera Araranguá (CBCA). Ele era furador e foi o último a sair da galeria – que possui 800 metros - antes que fosse fechada. “Levamos seis meses para tirar todo o equipamento da galeria. Trabalhei 15 anos naquele local”, comentou o morador do bairro Mina do Mato.
Quando a PR foi lacrada, ele, assim como seus colegas, foi transferido para outra mina. “Todo material retirado da PR foi levado para esse outro ponto, no bairro Santa Líbera”, conta.
Eram seis horas de trabalho e o caminho até o local era a pé. “Hoje, tudo é mais fácil. Antes o furador tinha a função de extrair o carvão, atualmente serve para dar segurança ao trabalhador”, comentou acrescentando que essa é uma boa iniciativa. “Muitos poderão conhecer os serviços realizados na mina que está praticamente intacta”, finaliza. Este é um projeto de recuperação de quem ajudou a construir a história do município.
Outro trabalhador que lembra com riqueza tudo o que enfrentou durante os seus 20 anos como mineiro, é José Agnellio dos Santos de 79 anos. Ele era responsável pela detonação das frentes de mineração. Era um trabalho árduo, mas que fazia com muita dedicação e responsabilidade. “Nós realizávamos a furação com uma broca de um metro e sessenta centímetros. Durava 40 minutos”, comentou. Por dia, eram feitas, 13 perfurações.
E não foi somente Juca – como é conhecido – que seguiu a profissão. Mais três filhos foram pelo mesmo caminho. “Quando entrava no local, sempre me benzia. Feliz aquele que consegue trabalhar por 20 anos em uma mina. Tem que ter força de vontade e determinação”, enfatiza acrescentando que a abertura trará muitas lembranças, além de ser uma atração.
Diretoria Executiva de Comunicação: Daniela Savi
Fonte: Prefeitura Municipal de Cruciúma
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