De malas prontas para a Arábia Saudita
Atingidos por chuva – De avião eu nunca andei, só de helicóptero. Foi quando eu e minha família fomos retirados de Baú Alto, em Ilhota, por causa das enxurradas, em novembro – conta Matheus Correa Reinert, 13 anos. Agora, o garoto que ficou três meses em um abrigo e mora em uma casa alugada enquanto a nova moradia não fica pronta, se prepara para uma viagem de cerca de 15 horas a bordo de uma aeronave da Air France.
Matheus é um dos 10 adolescentes convidados pela família real da Arábia Saudita para conhecer o país. Em abril, o rei Abdullah Bin Abdul Aziz Al Saud, da Arábia Saudita, doou R$ 11 milhões para os atingidos pela enchente no Vale do Itajaí. O gesto fez com que embaixador do país no Brasil, Mohamad Amin Kurdi, e o presidente de Comércio Árabe-Brasileiro, Salim Schahin, fossem a Blumenau oficializar a doação. O recurso será usado para famílias que vivem em Blumenau, Gaspar, Ilhota e Luis Alves. Dessas cidades foram selecionados os adolescentes.
A viagem começa no dia 14, quinta-feira, e termina no dia 20. Os adolescentes escolhidos tiveram que estar dentro de um perfil: idade entre 12 e 15 anos, serem moradores da área afetada, ter autorização dos pais para viajar e não ter medo de andar de avião.
– Eu nem acreditei quando minha mãe me disse que tinha sido convidada – contava, ontem, Michelle Caroline Saes, 14, de Blumenau.
Como a casa dos Saes foi interditada, Michelle, a mãe e os três irmãos estão em um abrigo na Itopava Seca, em Blumenau.
Michelle e os colegas que irão viajar estiveram na Superintendência da Polícia Federal em Florianópolis para tirar o passaporte. A viagem para a Arábia Saudita, informada na quinta-feira, pegou a garotada de surpresa. O jeito foi correr para o mapa, computador e “apertar” os professores para falar um pouco sobre os usos e costumes do país.
Enquanto isso, foram em busca de documentação e autorizações dos pais e da Justiça da Infância e da Juventude. Para acompanhar o grupo, além de duas funcionárias da Embaixada da Arábia Saudita no Brasil, segue a sargento Marli Darolt, da Polícia Militar em Santa Catarina.
Por ÂNGELA BASTOS
Fonte: Diário Catarinense
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