O Simpósio Sobre Imigração e Cultura Alemãs na Grande Florianópolis, realizado este ano em sua terceira edição pelo Instituto Cultural Carl Hoepcke, trata desta história de 180 anos em Santa Catarina.
180 Jahre Deutsche Einwanderung nach Santa Catarina - s. deutschen Originaltext im Anschluss
Por Eckhard E. Kupfer*
A situação na qual se encontravam as províncias alemãs após as campanhas de Napoleão não era das mais cômodas. O futuro prometia poucas melhorias a uma população em crescimento. Além disso, neste tempo, reapareciam sempre os recrutadores, que se espalhavam como ratoeiras, e narravam sobre as ilimitadas possibilidades da nova terra, a que chamavam América.
Fotos Max Müller

Solenidade de abertura. Da esquerda para a direita: Jorge Globig, presidente da fecab, Hans Dieter Didjurgeit, cônsul honorario da Alemanha em Blumenau, Diego Schaefer, representando o prefeito municipal, Dário Berger, Deputado Gilmar Knaesel, secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte e representante do governador Luiz Henrique da Silveira, Annita Hoepcke da Silva, presidente do ICH. José Carlos Pacheco, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, Norbert Kurstgens, cônsul geral da Alemanha, Carlos Humberto Correa, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa catarina, Ernei Stahelin, prefeito municipal de São Pedro de Alcantara, Dep. Renato Hinnig, representando o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina
Por trás disso, figurava também o Major von Schäffer, o qual desde 1823 estava a serviço do Imperador D. Pedro I, para, na verdade, alistar soldados visando protegerem as amplas divisas deste grande país, o qual se chamava Brasil. Mas como na Europa a contratação de soldados não era permitida, os contratos falam de colonos, aos quais terra e proteção eram prometidas. Vantagens que não se tinha mais em casa.
Assim embarcaram nos veleiros “Luiz” e “Marquês de Viana” no dia 28 de outubro de 1828 146 famílias no Rio de Janeiro rumo à região de Desterro, na Capitania de Santa Catarina, para se assentarem. A história desse assentamento não ocorreu de forma muito distinta a de outros que ocorreram à mesma época no governo de São Paulo, um desfecho proporcionado pela antiga estrutura de administração colonial. Em primeiro, pouco se sabia como travar contatos iniciais com essas pessoas, o ordenado combinado era postergado ou não mantido e a terra prometida não era transferida até mesmo sob ameaças e à força.
Lá tiveram então que prosseguir por si mesmos, abandonados a própria sorte, e os primeiros colonos tiveram que lutar com todo tipo de empecilhos: descampados, terras pouco planas e solos ainda não preparados para lavoura. Além do mais, faltavam os ordenados que haviam sido acordados pelo administrador das terras. Após protestos e cercos em Desterro, finalmente o primeiro administrador foi destituído e substituído por um favorável aos colonos. Neste meio tempo, uma carreira inteira de colonos deixou mais uma vez o distrito Pedro de Alcântara para tentar a sorte na capital da província. Aqueles que ficaram obtiveram ao final sua autonomia de governo e podem ser considerados como os pioneiros do Estado de Santa Catarina, que agora revê seus 180 anos de imigração alemã.

Mesa diretora e plateia atenta
Nas comunicações durante o evento de dois dias, historiadores, especialistas em arte e outros expertos relacionados às áreas de arte e cultura palestraram sobre a influência da imigração alemã e o Estado de Santa Catarina.
Para abertura, estavam presentes o Cônsul Geral da Alemanha Norbert Küstgens de Porto Alegre, o Cônsul Honorário para Santa Catarina Hans-Dieter Didjurgeit de Blumenau, assim como personalidades da vida pública de Santa Catarina. Em seu discurso de abertura, a presidente do Instituto Carl Hoepcke, Anita da Silva Hoepcke, saldou os presentes e narrou brevemente sobre a mudança do Instituto ao local histórico antigamente sede das fábricas do grupo Hoepcke. Após segui-se a palestra do conhecido jornalista Moacir Pereira sobre o desenvolvimento da imprensa de língua alemã em Santa Catarina. Sobre o desenvolvimento da colônia em São Pedro de Alcântara relatou o historiador Aberdal Philippi e o ministro católico monsenhor Agostinho Stähelin, cujos descendentes imigraram de Basel no século XIX. A história da familia Hackradt, relatada pelo historiador André Vogt, apresentou a grandeza do pioneirismo do ofício desses industriais em meados do século XIX em Blumenau. Carl Hoepcke, que veio para o Brasil em 1863, iniciou sua bem-sucedida careira como empreendedor na firma dos Hackradts e mais tarde tornou-se sócio destes, até se mudar para Desterro, atual Florianópolis, e construir e ampliar sua própria firma.
A palestra seguinte de Gilberto Gerlach, fundador e diretor do Clube de Cinema e Arte de Desterro, tratou sobre o filme como gênero. Gerlach argumenta que a arte cinematográfica foi um descobrimento alemão e lembrou de Fritz Lang como o mais conhecido diretor de cinema mudo, de Josef Sternberg, o diretor de “O Anjo Azul”, assim como dos produtores cinematográficos do período de pós-guerra como o Wim Wenders, Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Volker Schlöndorff ou os mais recentes, Florian Henckel von Donnersmarck, que ganhou o Oscar em 2007 pelo seu filme “A Vida dos Outros”.
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