Um verdadeiro confronto de gerações fechou o Maresia Surf International num domingo de frio, mas com Sol e boas ondas de 3-4 pés na Praia Mole de Florianópolis. Com apenas 15 anos de idade, o paulista Gabriel Medina tornou-se o surfista mais jovem a vencer uma etapa em toda a história do WQS iniciada em 1992. Na grande final, ele bateu um ídolo local, o catarinense Neco Padaratz, 32 anos, único que já tem dois troféus de campeão da Maresia no currículo, ambos conquistados em 1999, sendo um deles na própria Praia Mole. Esta foi a segunda etapa do WQS 2009 que Neco disputou depois da contusão sofrida em setembro do ano passado e confessou que o retorno do jogador Ronaldo serviu como grande inspiração para ele. Já Gabriel Medina ganhou logo a primeira que participou nesta temporada. O Mundial WQS agora parte para Saquarema (RJ), onde na terça-feira começa outra prova nível 6 estrelas de 2.500 pontos.
“Estou super feliz por ter ganho aqui na Praia Mole. Eu nunca esperava isso, mas consegui achar as ondas nas baterias e não sei nem o que dizer, muita felicidade só”, vibrou Gabriel Medina, que faturou o prêmio máximo de 20.000 dólares oferecido nas etapas do WQS. “Antes de entrar na bateria, sabia que ia ser bem difícil enfrentar o Neco na casa dele, mas conseguir achar boas ondas para tirar boas notas e estou amarradão. Estou muito emocionado e não sei nem o que falar mesmo, tenho que esperar um pouco para saber tudo isso que está acontecendo”, falou o recordista absoluto do Maresia Surf International, com a nota 9,57 e os 18,67 pontos que totalizou ainda na sexta-feira na Praia Mole.
No domingo decisivo, ele começou o dia já voando alto para despachar o americano Austin Ware nas quartas-de-final e depois derrubou na semifinal outro integrante da nova geração, o havaiano Dusty Payne, 20 anos. A caminhada de Neco Padaratz foi iniciada contra um dos favoritos ao título, o novo líder do WQS, Jadson André, quando realizou sua melhor apresentação da semana na Praia Mole para liquidar o potiguar com duas notas na casa dos 8 pontos. Aí tirou o último estrangeiro da briga, o australiano Matt Wilkinson, para conquistar a segunda vaga na grande final.
Neco abriu a última bateria manobrando forte para começar com uma nota 5,5. Logo Gabriel Medina apresentou sua arma mortal e assumiu a ponta com um 7,50 num belo aéreo. O vira-vira continuou a cada onda surfada. Apostando nas direitas, Neco acha uma abrindo uma parede mais longa e vai manobrando até quase enterrar as quilhas na areia, com os juízes dando nota 6,5. Medina fica precisando de 4,5 pontos nos últimos minutos pega uma esquerda que rende duas manobras jogando muita água para tirar um 8,33 que confirmou a espetacular vitória por 15,83 x 12,00 pontos.
O catarinense reclamou do julgamento quando saiu do mar, mas no pódio foi só elogios, inclusive afirmando que a sua volta foi inspirada no retorno triunfal do jogador Ronaldinho no Corinthians. “Primeiramente obrigado Florianópolis e obrigado aos catarinenses do fundo do meu coração. Fazia muito tempo que eu sonhava em estar de volta a este lugar e ao pódio para poder agradecer todos que acreditaram em mim. A coisa que mais amo na minha vida é surfar e a 1 ano atrás imaginei que nunca mais poderia fazer isso”, contou Neco, mostrando-se muito emocionado.
“Foi muita batalha para estar aqui de novo, muito choro, muito sofrimento com a contusão que não sarava nunca, mas Deus me deu essa nova oportunidade e preciso destacar principalmente uma pessoa em especial, que é o Álvaro Romano, da Ginástica Natural. Ele me viu completamente torto, sem caminhar direito, numa situação muito complicada na minha vida, sem patrocínio, me viu no fundo do poço, chorando todo dia de dor e me recuperou totalmente. E tudo mudou para mim no dia que vi o Ronaldinho fazendo o primeiro gol dele depois de anos de batalha também. O cara foi lá e mostrou pra mim e pra todo mundo que era possível continuar. Isso me inspirou bastante e estou aí de novo”, anunciou Neco, para delírio da grande torcida que acompanhou a cerimônia do pódio do Maresia Surf International.
GRINGOS FORA! - Os surfistas estrangeiros não conseguiram impedir uma decisão verde-amarela em Santa Catarina. Os últimos caíram nas semifinais. O havaiano Dusty Payne contundiu-se no final da primeira bateria do dia, contra Miguel Pupo nas quartas-de-final, sendo batido por Gabriel Medina na semi. Depois, Neco Padaratz voltou a usar toda a sua experiência e conhecimento do mar da Praia Mole para despachar outro jovem talento da nova geração, o aussie Matt Wilkinson. Já os americanos Patrick Gudauskas e Austin Ware perderam nas quartas-de-final que abriram o último dia.
“Foi bom porque ganhei mais 1.875 pontos, mas estou desapontado por esta ser a terceira vez que perco nas semifinais esse ano. Eu queria muito ir pra final. Ainda peguei uma onda no fim, mas os juízes não me deram a nota que eu precisava”, lamentou Matt Wilkinson. Já Dusty Payne comentou sobre a contusão na abertura das quartas-de-final. “Não sei exatamente o que aconteceu, mas machuquei forte minhas costas num aéreo e não estava nem conseguindo andar direito. Tudo bem. Foi um bom resultado e vou tentar me recuperar bem para o próximo evento”.
MUDANÇAS NO G-15 – O Maresia Surf International provocou apenas duas mudanças de nomes entre os 15 surfistas que o WQS indica para completar os top-45 do ASP World Tour. O norte-americano Nathan Yeomans e o australiano Leigh Sedley tiraram as vagas do catarinense Marco Polo, que perdeu logo na estréia na Praia Mole, e o irlandês Glenn Hall, que não veio para o Brasil. As maiores alterações ocorreram dentro do G-15 do WQS. O potiguar Jadson André é o novo líder do ranking e o único brasileiro da lista. Já Matt Wilkinson parou na semifinal pela terceira vez esse ano, mas ganhou seis posições, subindo para o sexto lugar na classificação geral das dezenove etapas completadas em Floripa.
Apesar de não atingir seu objetivo que era chegar na final, o potiguar Jadson André ficou feliz com o quinto lugar que lhe garantiu a liderança no ranking do WQS 2009. “O Neco é um cara muito experiente. Ele competiu num lugar que ninguém imaginava, ali do lado direito, teve sorte também que as ondas vieram para ele para começar com dois high-scores (notas altas), mas mantive a tranquilidade. Eu sabia que poderia virar com uma combinação de um 7 com um 9, ou dois 8 e pouco. A nota 7 eu consegui e tentei buscar a outra nota. Arrisquei um aéreo grandão que poderia tirar isso, mas não completei e agora é bola pra frente. Estou na liderança do circuito agora, mas a galera ta toda colada. Vamos agora pra Saquarema tentar outro bom resultado lá para aumentar essa vantagem”, promete o potiguar-voador.
CONFIRMADO EM 2010 – A Maresia comemorou