Um claro sinal da recuperação da economia de SC está nos departamentos de recursos humanos das empresas: o ritmo de abertura de empregos está em alta. Apenas no mês passado foram 11.988 novas oportunidades de trabalho no Estado – saldo das contratações menos as demissões registradas pelo Caged, cadastro nacional de vagas.
É o melhor mês desde outubro, quando foram sentidos os primeiros reflexos da mais grave crise econômica em 80 anos, e o terceiro seguido de alta no nível de emprego no Estado. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, nem parece que houve uma crise no meio do caminho. Em agosto de 2008 foram criados 12.151 empregos.
Os serviços e a indústria foram os segmentos que mais criaram vagas em agosto (veja gráfico). Os segmentos de comércio e administração de imóveis e de hotéis, bares e restaurantes abriram o maior volume de oportunidades, embalados pelo bom momento pelo qual passa a construção civil e por causa dos preparativos para as festas de outubro e para a temporada de verão.
Só a indústria abriu 4.053 vagas. O ritmo de produção nas fábricas está em alta. Segundo o IBGE, desde fevereiro a indústria está produzindo mais do que no mês anterior. Quem mais está criando postos de trabalho são os segmentos voltados para o mercado interno, como a indústria têxtil, que em agosto criou 1.802 empregos com carteira assinada.
Balanço do ano ainda está abaixo de 2008
Lentamente, as empresas voltadas para o mercado externo estão reabrindo vagas que tinham sido fechadas durante a crise. Um maior volume de empregos está vinculado ao reaquecimento da economia global.
No acumulado dos primeiros oito meses do ano, houve a criação de 28.844 vagas em SC. O número, influenciado pelo baixo desempenho dos meses anteriores, foi o pior resultado para o período nos últimos dez anos. E corresponde a uma baixa de 62,32% em relação ao primeiro semestre do ano passado, quando foram geradas 76.552 novas vagas.
Por VANDRÉ KRAMER | Joinville
Serviços no topo do ranking
Os setores de serviços e comércio tiveram um papel importante na retomada da geração do emprego no país e em Santa Catarina. E a tendência é manter a participação destes segmentos na manutenção das vagas até o final do ano.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, diz que os números, positivos em todos os estados, superam as expecativas do governo.
Para o secretário geral do Movimento Nacional da Micro e Pequena Empresa (Monampe), Luiz Carlos Floriani, o setor de serviços deve repercutir cada vez mais na geração de empregos. Em agosto, 4.521 novas vagas foram geradas pelo setor em SC. Ele destaca os segmentos de ensino – como escolas de idiomas e cursos de qualificação – e o turismo como os maiores empregadores.
O comércio também está confiante em manter uma boa participação na geração do emprego. O presidente da Federação do Comércio (Fecomércio) de SC, Bruno Breithaupt, diz que a tendência é sempre de que o segundo semestre apresente indicadores mais positivos do que o primeiro.
– Com o crescimento gradativo das vendas a partir de agora, evidentemente vai aumentar o número de carteiras assinadas no setor – avalia.
Hoje, Breithaupt diz que os setores mais aquecidos são os de papelaria, farmácias e perfumarias, móveis e eletrodomésticos e supermercados.
Fonte: Diário Catarinense