O melhor saldo em 21 meses
A indústria puxou a criação de empregos em SC, em outubro, com o melhor resultado desde setembro de 2007. Mas, em 12 meses, ainda tem saldo negativo
Como uma locomotiva difícil de parar e que também demora a retomar o movimento, a indústria catarinense lentamente se recupera do baque provocado pela crise internacional. Um indício é o aumento dos empregos com carteira assinada. Somente em outubro, o saldo de vagas (diferença entre contratações e demissões) foi de 4,9 mil, o setor com melhor desempenho em números absolutos.
É o melhor resultado também desde setembro de 2007, quando foram criadas 5,3 mil postos de trabalho no setor, responsável por 34,5% do PIB catarinense, o maior peso entre todos os estados. A avaliação do ano é ainda melhor em SC: saldo de 10,2 mil postos. Mas nos últimos 12 meses, o resultado é negativo: -8.240 vagas.
Os números foram divulgados, ontem, pelo Ministério do Trabalho. Em relação ao número geral de empregos com carteira assinada em SC, outubro foi o melhor mês desde janeiro de 2008: 16,1 mil novas vagas.
Dentre os segmentos industriais que mais se destacaram, estão o têxtil/vestuário, seguido da metalúrgica e da química farmacêutica.
Joinville, maior polo industrial do Estado e que amargava últimas posições no ranking dos empregos com carteira assinada, hoje está no topo da lista. Isso se reflete na produção e nas férias coletivas, um indicador da quantidade de pedidos recebidos pela indústria.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Mecânica de Joinville e Região, João Bruggmann, informou que a categoria vai parar apenas na última semana do ano, e as compensações estão sendo feitas desde agosto.
– É uma situação diferente do ano passado. O emprego continua crescendo, e as rescisões, diminuindo. Estamos otimistas para o próximo ano.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville, Genivaldo Marcos Ferreira, afirmou que a categoria terá férias coletivas entre a véspera de Natal e 5 de janeiro. No ano passado, as empresas pararam por até 30 dias. Hoje, ao contrário, falta mão de obra, principalmente na área de fundição.
– Estão “bombando” as vagas, ainda vamos ter um aumento até o final do ano.
Mas a “marola” da crise internacional que atingiu a indústria catarinense está longe de se tornar água de poço. O professor de Economia da UFSC, Fernando Seabra, considera excelente a retomada dos empregos na indústria, porque mostra que o setor consegue superar rapidamente a adversidade. Mas, ressalta que não há sinal de que o setor esteja totalmente recuperado em relação ao período anterior à crise.
– As indústrias têm conseguido compensar a redução das vendas externas com crescimento do mercado doméstico, mas uma total recuperação só deve acontecer quando houver a retomada das exportações.
Números nacionais bateram recorde
Seabra acrescentou que a indústria catarinense depende da recuperação da renda dos países desenvolvidos e de um câmbio mais favorável às exportações. Mas o momento não é de todo desfavorável. Para ele, as empresas devem aproveitar o dólar baixo para importar máquinas e equipamentos e ganhar em produtividade, para conseguir inserção mais competitiva no mercado internacional.
O número de empregos criados no país passou de 1,16 milhão entre janeiro e outubro. Só no mês passado foram 231 mil. Mas o acumulado do ano é o pior para o período desde 2003.
Por ALÍCIA ALÃO
FOnte: Diário Catarinense
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