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Na cidade, podem ser encontradas peças para diferentes bolsos - Diego Redel
Expectativa para este verão é de crescimento de 25% nas vendas
Por Alexandre Lenzi
Os carros disputando vagas na margem da rodovia Jorge Lacerda e as lojas lotadas de clientes comprovam que a pequena cidade do Vale do Itajaí segue firme no posto de capital catarinense da moda praia e moda íntima, título conquistado em 2002.
Ilhota, município de 12 mil habitantes, foi um dos mais atingidos pela enchente que castigou Santa Catarina no fim de 2008. Mas a cidade mostrou recuperação rápida e retoma sua posição de destaque na rota do turismo de compras do Estado.
Os estragos provocados na cidade pela enchente de 2008 foram divulgados em mídia nacional e afastaram os turistas do comércio no verão passado. Mas eles estavam subestimando a população local.
O prejuízo foi grande, mas as indústria e as lojas responderam com trabalho extra e hoje reconquistam a clientela que vem até de outros estados para comprar biquínis e lingeries produzidos em Ilhota.
Em média, a produção é de 500 mil peças por mês, trabalho que mobiliza uma cadeia de 1,5 mil funcionários.
Antes de entrar na cidade, outdoors na margem da rodovia, com modelos usando as peças desenhadas e confeccionadas por empresas locais, já conduzem para o roteiro de compras.
A maior parte das lojas, cerca de 70 de um total de 100, ficam na própria rodovia Jorge Lacerda. O cliente estaciona e, caminhando, vai enchendo a sacola de loja em loja. No verão, os estabelecimentos funcionam também nos sábados e domingo.
A Rio Açu Confecções, fundada há 18 anos, foi uma das primeiras a abrir na cidade. Na época motorista autônomo, José Fernando Koehler, vendeu o caminhão e investiu na confecção, trabalhando em família.
Hoje, tem loja na rodovia e a confecção no interior da cidade, além de uma filial que abre apenas no verão em Piçarras. No total, emprega 40 pessoas.
Também uma das veteranas da cidade, a Gabriely Moda Íntima tem estrutura própria de criação, confecção e vendas, tanto para biquínis como para roupa íntima feminina e masculina. Entre fábrica e loja, são 100 empregos diretos.
Preços para os diferentes bolsos
Neste verão, com cenário de retomada, a expectativa é de um crescimento de 25% nas vendas. Para isso, a aposta é em peças para diferentes bolsos, explica a proprietária Simone Maes. O conjunto de lingerie pode variar de R$ 14 a R$ 40 e o preço do biquíni fica entre R$ 35 e R$ 60.
Atraídos pelo preço e pela qualidade das peças da cidade, turistas incorporaram o abastecimento em Ilhota como programação fixa para as férias de verão. Maria Del Carmen Sá, 45 anos, e Amanda Gomes Almeida Sá, 18, mãe e filha, já se programam para todo início da estação, fazer as compras de biquíni e lingerie na cidade. Já levaram até amigos de São Paulo para as compras.
— Só compramos aqui. A qualidade é muito boa e os preços ótimos. Todos os anos, fazemos uma festa em Ilhota — conta Maria, carregando uma sacola com as primeiras compras deste verão.
Vocação é herança regional
A vocação dos moradores de Ilhota para o setor têxtil surgiu antes mesmo da indústria da cidade se consolidar. No passado, era comum homens e mulheres viajaram todos os dias para a vizinha Blumenau, pólo de confecção, para trabalhar em grandes indústrias.
Na bagagem, mais que o salário, esses trabalhadores acumularam experiência e resolveram investir no empreendedorismo.
Profissionais que se aposentavam ou eram demitidos começaram a abrir as primeiras empresas de confecção em Ilhota, isso há quase duas décadas. E logo o mercado de biquínis e lingerie apareceu como um mercado a ser explorado.
Para continuar crescendo, a secretária de Indústria, Comércio e Turismo de Ilhota, Marisa Terezinha Pereira, diz que é preciso conquistar mais mão de obra qualificada. Hoje, o piso salarial de uma costureira é R$ 576, mas ela afirma que uma profissional com experiência consegue tirar R$ 1 mil por mês.
Quem tem experiência na área, dificilmente fica sem emprego em Ilhota. Hoje, a cidade também emprega moradores de cidades vizinhas, como Gaspar. O proprietário da Rio Açu Confecções, José Fernando Koehler, reclama da falta de mão de obra qualificada tanto para costureiras como para atendentes.
— Se tivesse mais gente para trabalhar, poderíamos dobrar a produção — diz o proprietário da confecção que produz, em média, 30 mil peças por mês.
Para amenizar esse quadro, a prefeitura promove cursos gratuitos na área de corte e costura, vendas e mecânico de máquina de costura. No ano passado, treinou 100 pessoas.
Outro desafio é a sazonalidade da moda praia. Na venda de lingerie, as empresas conseguem manter o mercado mais estável ao longo do ano. Mas para os biquínis, as vendas caem muito após o verão.
Hoje, a maioria dos empresários se organizam para lidar com essa queda no faturamento em parte do ano. Mas outra estratégia é buscar mercados internacionais.
Algumas empresas já fazem as primeiras exportações para os Estados Unidos, países da Europa e vizinhos do Mercosul, mas baixa do dólar tem desmotivado as vendas externas.
Fonte: Diário Catarinense
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