Segunda safra no Estado está com o dobro da produtividade, e próximo passo é a industrialização
O Jardim das Oliveiras está deixando de ser apenas uma passagem bíblica para se tornar realidade na paisagem catarinense. Santa Catarina está colhendo neste início de mês a segunda safra de azeitonas do projeto iniciado em 2006 pelo governo do Estado.
E os resultados estão surpreendendo. De acordo com o pesquisador da Epagri e coordenador do projeto, Dorli Da Croce, a produção por pé quase dobrou. Em 2007, cada pé produziu em média cinco a seis quilos. Neste ano já são entre oito a 10 quilos. Isso que as plantas sofreram com fenômenos climáticos (chuva e granizo).
São 18 áreas experimentais espalhadas pelo Estado, numa área de 10 hectares. Uma delas fica na Epagri de Chapecó, onde existem cerca de 400 plantas, de 61 variedades.
Elas são originárias da Espanha, Portugal, Itália, Argentina e até do Brasil. As variedades que melhor se adaptaram ao clima catarinense são Ascolano, Arbosana, Arbenquina, Koroneik, Grapolo e Pichal.
Desde a década de 1980, Da Croce vinha tentando implantar um projeto de produção de oliveiras no Estado. Mas a ideia só deslanchou a partir de 2006, com o apoio político ao projeto.
O pesquisador da Epagri disse que já é possível afirmar que a produção de azeitonas em Santa Catarina é viável. Ele acredita que as plantas podem chegar a 40 quilos por pé.
Máquina importada da itália vai extrair azeite de oliva
A nova etapa, agora, é desenvolver a produção de mudas e a industrialização. Da Croce está tentando extrair o azeite de oliva com uma máquina importada da Itália. Mas ainda falta experiência para a produção.
De acordo com o tamanho, a utilidade da azeitona muda: as maiores vão para conserva e as menores são moídas. Cada variedade de oliveira proporciona um sabor diferente ao óleo de oliva. É como o vinho, que tem sabor diferente conforme a variedade da uva.
Da Croce prevê que nos próximos anos haverá azeite e azeitonas catarinenses nos supermercados, que atualmente são dominados por rótulos da Espanha, Portugal e Argentina. Hoje, o Brasil gasta cerca de US$ 250 milhões em importação de azeite e azeitona. É um dinheiro que pode remunerar o agricultor catarinense.
– É uma alternativa de renda com alto valor agregado – disse Da Croce.
E mais um produto para levar a marca Made in SC.
Por DARCI DEBONA | Chapecó
Fonte: Diário Catarinense
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