Barragem fica pronta dia 20
Um dos maiores projetos de engenharia em construção no Sul do país, a Hidrelétrica Foz do Chapecó, entre Águas de Chapecó e Alpestre (RS), está com 90% da obra pronta. De acordo com o gerente da Foz do Chapecó Energia S.A., Alceu Reusing, faltam apenas sete dos 47 metros de altura da barragem principal.
Além disso, a montagem da primeira das quatro turbinas da casa de força está em fase de conclusão. Também estão sendo finalizadas as linhas de transmissão da hidrelétrica até as subestações de Xanxerê e Erval Seco (RS). Cada um deles têm cerca de 70 quilômetros de extensão.
Reusing estima que a obra da barragem fique pronta até o dia 20 de abril. A expectativa é de fechamento do lago no final de maio. Para isso, a concessionária ainda depende da licença de operação do Ibama.
A previsão é de iniciar a geração de energia com a primeira turbina de 213 megawatts em agosto. A partir disso, a cada dois meses entrará em operação uma turbina, até que as quatro entrem em operação, em fevereiro de 2011. Com capacidade total, a usina poderá gerar 855 megawatts, o que equivale a 25% da demanda catarinense ou 18% da gaúcha.
O diretor técnico da empresa, Miguel Zerbini Faria, diz que a existência de uma fonte geradora na divisa entre SC e RS dá mais segurança no fornecimento para os dois estados, mas ele lembra que a energia gerada na hidrelétrica pode ser enviada para qualquer lugar do país.
A obra é a primeira no Brasil a utilizar a tecnologia de núcleo asfáltico na construção da barragem. A técnica consiste em preencher o “miolo” da barragem de rocha com uma parede de 60 centímetros de asfalto. De acordo com o diretor técnico Faria, isso agiliza a construção. O convencional é utilizar argila, processo que faz o tempo de construção durar mais de um ano.
Além disso, a largura da barragem feita com a argila é quase o dobro da que usa núcleo asfáltico. A barragem onde está sendo colocado o núcleo asfáltico terá 47 metros de altura, 548 metros de comprimento e 170 metros de largura. No topo será construída uma rodovia com oito metros de largura, que vai ligar Águas de Chapecó e Alpestre (RS). O comprimento da rodovia somando a barragem com o vertedouro é de um quilômetro.
A quantidade de concreto usado em toda a obra é monumental: são 670 mil metros cúbicos, o suficiente para construir oito estádios do porte do Maracanã. As 15 comportas têm capacidade para uma vazão de 62 mil metros cúbicos por segundo, volume similar ao da Hidrelética de Itaipu, a segunda maior do mundo.
Por DARCI DEBONA | Águas de Chapecó
Dados da obra
Local: Rio Uruguai, entre Águas de Chapecó e Alpestre (RS)
Investimento: R$ 2,2 bilhões
Investidor: Foz do Chapecó Energia S.A., formada por CPFL (51%), Furnas (40%) e CEEE (9%)
Funcionários: 2,2 mil
Início: março de 2007
Conclusão: 42 meses
Fechamento do lago: 15 a 20 de maio
Área do lago: 79,93 quilômetros quadrados
Propriedades atingidas: 1.522
Famílias atingidas: 2,2 mil
Cidades atingidas: em Santa Catarina, Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Guatambu, Chapecó, Paial e Itá; e no Rio Grande do Sul, Alpestre, Nonoai, Rio dos Índios, Erval Grande, Faxinalzinho, Barra do Rio Azul e Itatiba do Sul
Início da geração: 31 agosto
Potência instalada: 855 megawatts
Royalties pagos pela área alagada:
R$ 12 milhões/ano, divididos por cidades (45%), estados (45%) e União (10%)
Projeto prevê termelétrica de R$ 1,6 bi
Após 10 anos de espera, o projeto da Usina Termelétrica Sul Catarinense (Usitesc) foi apresentado, ontem à noite, em Treviso, no Sul do Estado, onde será construído. No evento, foi assinado um convênio entre a prefeitura e os investidores.
O investimento para instalação da termelétrica será de R$ 1,6 bilhão. O início da obra está previsto para 2011, levando-se em consideração que a Usitesc participe de leilões de energia no final deste ano.
A termelétrica garantirá a demanda anual de 2,5 milhões de toneladas de carvão às mineradoras e a criação de 1,3 mil postos de trabalho na fase de construção, além de outras 4,7 mil vagas quando a usina entrar em atividade.
A Usitesc terá capacidade de geração de 440 megawatts de energia. Se funcionasse 24 horas com plena capacidade, poderia fornecer energia suficiente para um dia de consumo de uma cidade do porte de Joinville, com 500 mil habitantes.
De acordo com o diretor técnico do projeto da termelétrica, José Carlos Carvalho da Cunha, para a geração de energia será usada a queima combinada de carvão bruto, rejeito piritoso e calcário.
– O produto será gás, processado em duas fases para remoção de poeira e de enxofre, o que finaliza em um gás com 97% de pureza – explica.
Os recursos para a construção da termelétrica virão de um grupo de sete investidores brasileiros (95%) e das carboníferas Metropolitana e Criciúma (5%). A expectativa de retorno do dinheiro investido é de 15 anos, afirma o representante dos investidores, Kaioá Gomes.
As carboníferas assumiram o compromisso de destinar R$ 10,8 milhões para ações sociais e outros R$ 6,7 milhões à Reserva Biológica do Aguaí, em Treviso. De acordo com o prefeito João Réus Rossi, os moradores da cidade de 3 mil habitantes estão preocupados com um possível aumento da população.
– Esperamos melhorias, principalmente em educação e saúde. É uma obra milionária e precisamos estar preparados para o que ela trouxer, inclusive o aumento demográfico – avalia o prefeito.
Por ANA PAULA CARDOSO | Treviso
Fonte: Diário Catarinense
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