Projeto valoriza os prédios históricos
Ideia de arquiteto que venceu concurso é integrar cultura, compras e lazer em frente ao terminal
O Largo do Mercado Público, no Centro de Florianópolis, vai virar de cabeça para baixo. Pelo menos é essa a ideia do arquiteto e urbanista Héctor Vigliecca, responsável pelo projeto vencedor, e anunciado ontem à tarde, de revitalização do Centro Histórico.
Aos 69 anos de idade, o arquiteto uruguaio, que vive em São Paulo e acumula 47 prêmios, entre nacionais e internacionais, promete fazer uma inversão urbana na área onde transitam diariamente cerca de 250 mil pessoas.
– Queremos construir um subsolo com outras características, que não seja obscuro. Um lugar que não tenha um caminho determinado, onde seja possível escolher entre ir por cima, por baixo ou entrar e ir direto para o shopping popular. Um espaço com uma multiplicidade de conexões – detalha Vigliecca.
O arquiteto quer criar um novo plano urbano para a parte subterrânea, que fica em frente à Rua Francisco Tolentino e para onde serão transferidos o atual camelódromo e estacionamento da Associação Florianopolitana de Voluntários (Aflov).
– Vamos evidenciar a fachada oitocentista. Foi este exercício de reflexão que nos levou a outra possibilidade: a recuperação e reconstrução da muralha que, antes do aterro, fazia limite com o mar.
O trabalho vencedor do Concurso Público Nacional de Anteprojetos de Arquitetura e Urbanismo de Requalificação do Largo do Mercado Público, lançado em março, concorreu com outros 14 projetos. O trabalho do arquiteto Henrique Hugo Brena, responsável pela criação do Terminal Rodoviário Rita Maria, ficou em segundo lugar. Na terceira colocação ficou o gaúcho Leonardo Mader.
Estacionamento e shopping popular são exigências
Para participar da disputa, que inicialmente contou com 27 inscrições, os arquitetos tiveram que observar critérios. Entre eles, a criação de um estacionamento subterrâneo e um shopping popular.
– Era nossa prioridade retirar os ônibus que circulam na avenida que fica em frente ao Terminal. Depois das obras, os ônibus que hoje cruzam a Paulo Fontes vão contar com novo acesso – diz a coordenadora do concurso e diretora de planejamento do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf), Cristina Piazza.
Uma comissão julgadora formada por quatro arquitetos e um engenheiro foi a responsável pela análise e escolha dos projetos.
Como será
Quando o trabalho começa - Em 135 dias
O ganhador tem 60 dias para desenvolver o projeto executivo (detalhar a ideia).
A elaboração do edital de lançamento da licitação da obra levará um mês.
E, em 45 dias, a prefeitura receberá as propostas das empresas que participaram da licitação.
Características do projeto
Destacar as fachadas do casario histórico do Centro.
Revitalizar a antiga muralha, escondida pelo aterro, que fazia limite com o mar.
Criar um sistema autônomo para o lençol freático.
Mudanças obrigatórias previstas no edital
Um estacionamento subterrâneo para 400 veículos
Um shopping popular com 158 lojas para substituir o camelódromo
Áreas de lazer, quiosques, bancos, iluminação e telefones públicos
Previsão para conclusão - Dois anos
Valor da obra - R$ 25 milhões
Por NANDA GOBBI
O vencedor
O projeto do arquiteto e urbanista uruguaio Héctor Vigliecca, da empresa Vigliecca&Assoc, de São Paulo, foi o ganhador do concurso público nacional de arquitetura e urbanismo realizado pela prefeitura de Florianópolis.
Fonte: Diário Catarinense
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