A Praça do Sesquicentenário, que está sendo construída em frente à prefeitura, manterá viva a história de Brusque através de um projeto inédito em Brusque de preservação do patrimônio paisagístico da cidade. É a primeira vez que uma obra pública, receberá árvores que já faziam parte da história da cidade. As plantas estavam no terreno da propriedade da família Renaux e foram doadas ao município pela empresa ZM, atual proprietária do local.
As plantas estavam no terreno da empresa, que solicitou o corte à Fundema pois iniciará um empreendimento no local. Como medida compensatória, o empresário vai replantar 30% de espécies nativas no local e ainda propõem-se a manter 5 mil metros quadrados de área de preservação permanente em outra propriedade, onde há córregos.
São 52 árvores no total, com altura entre 4,5m e 20 metros, que sairão da área onde estão, através de um processo cuidadoso de retirada, manejo e replantio, e permanecerão no cotidiano dos moradores de Brusque na praça. A empresa RC Conti é outra parceria da prefeitura nesse projeto, também contribuindo com plantas que irão para a praça.
O agrônomo responsável pelo projeto paisagístico da praça, Haro Kamp, fez a avaliação das espécies que estavam no terreno. Segundo ele, apesar de muitas árvores, especialmente as de grande porte, estarem esteticamente bonitas por fora, estavam completamente comprometidas em seu tronco, o que ocasionou o corte e a perda de oito unidades. “Nosso solo retém muita água com as chuvas e acaba permanecendo encharcado por muito tempo, o que ocasiona o apodrecimento de troncos e raízes de muitas árvores em Brusque”, explicou o especialista.
Kamp aproveitou para esclarecer à população que todo o processo de transplante leva pelo menos 3 anos para estar completo. “A praça estará pronta como no projeto para a inauguração mas, por pelo menos um ano, as árvores ainda estarão sob escoras e até amarradas, pois isso faz parte do processo de estabilização delas no novo local”, argumentou.
A superintendente da Fundema, Eudez Pavesi, comentou que iniciativas como essa, junto ao empresariado local, foram decididas pela entidade e pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente. “Se outras pessoas têm intenção de retirar árvores adultas de suas propriedades, é importante que faça contato com a Fundema ou com o Conselho para informar-se sobre o processo. Existe uma legislação vigente para o corte de árvores e dependendo da espécie e de sua conservação poderá ser transplantada, mas isso é um processo de custo elevado, que precisa ser planejado para sua viabilização”, registrou.
Incentivo a espécies nativas
Uma situação semelhante também foi encaminhada para decisão do Conselho Municipal de Meio Ambiente recentemente. Onde um empresário solicitou o corte de dois Ficus (ficus benjamina) diante de seu imóvel, na Avenida Beira Rio. Uma das principais características dessa espécie é que suas raízes procuram água sem respeitar nenhum tipo de barreira, e por muitas vezes danificam tubulações, calçadas e vias. Sob essa ótica foi autorizada a retirada das árvores, em contrapartida, o proprietário vai substituir as plantas por dois ipês (tabebuia chrysotricha) e, ainda, doar 50 mudas de espécies nativas.
Fonte: Prefeitura Municipal de Brusque
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