Medida vai reforçar pedido de indicação de procedência de selos
Por Ana Paula Cardoso
O governo estadual reconheceu os vales da uva Goethe, em Urussanga, no Sul do Estado, como território único em Santa Catarina. A medida, anunciada na 13ª Festa do Vinho, que acabou neste domingo, vai reforçar o pedido de indicação territorial de procedência, processo iniciado a um ano e meio.
Num mercado global e competitivo como a viticultura, os chamados selos de indicação de procedência são um ótimo instrumento de marketing. Sua função é garantir o consumidor os padrões mínimos de qualidade de determinado produto, de acordo com as características geográficas e culturais de determinada região.
Urussanga busca o selo para se tornar a capital brasileira da uva e do vinho goethe. Para o presidente da Associação ProGoethe, Renato Damian, a conquista turbinará o turismo local e facilitará o acesso a investimentos do governo do Estado.
Atualmente, apenas produtores da região de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, possuem o selo de indicação de procedência emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Desde 2002, as vinícolas que cumprem os requisitos exigidos podem estampar em suas garrafas o selo com o nome Vale dos Vinhedos.
De acordo com a diretora de Turismo de Urussanga, Patrícia Mazon, pesquisas e estudos sobre a uva plantada na região foram enviados ao Ministério da Agricultura e ao Inpi. O próximo passo será uma auditoria, ainda este ano, e a produção de uva seja reconhecida como "a uva da terra".
— Encaminhamos um verdadeiro dossiê de cultivo, importância para a região, clima, microclima para termos esse certificado. Mais do que uma referência, seremos únicos no cultivo e na produção dessa uva — afirma Patrícia.
Novo patamar
A produção vitivinicultora Goethe coloca Urussanga em um novo patamar na produção de vinhos, porque não há volume significativo de produção, mas um diferencial na qualidade dos produtos espumante, vinhos e frizantes.
A vice-presidente da associação, Giselda Mazon, explica que desde a chegada dos imigrantes do Norte da Itália a Urussanga, em meados de 1878, se cultiva essa "uva branca" na região.
Pelo fato de exigir um manejo delicado, na época resultava em produção limitada porque não havia tantas condições para se dedicar a ela. E ao longo dos anos, explica Giselda, outras variedades a substituíram (moscato, niagara, isabel e bordô) e a Goethe foi deixada de lado, o que abriu largamente a fama dos coloniais tintos.
Com pesquisas e auxílio de parceiros como Sebrae, explica Patrícia Mazon, foi possível organizar um projeto enoturístico para a região, com base na sustentabilidade para tornar Urussanga uma região referencial. Em 2005 criou-se a Associação ProGoethe, que reúne 25 produtores e sete vinícolas associadas um vale da uva com cerca de 46 mil hectares.
Conforme Damian, a produção vinífera de Urussanga é diferente porque se optou em trabalhar com essa uva que "só tem aqui", certifica Damian.
— O solo de carvão e o clima único nos dão uma uva com aroma, buquê e paladar diferentes. O aroma dela nos lembra frutas cítricas, flores brancas e um leve toque de mel, além de uma coloração amarelo palha diferente - explica o especialista em enologia da Vinícola Casa Del Nonno, Matheus Damian.
Como são as certificações de origem
A Lei da Propriedade Industrial prevê dois tipos de selo: indicação de procedência e denominação de origem
Indicação de procedência: é uma versão mais simplificada das certificações. Mostra apenas a origem geográfica do produto. Para conquistar este selo, basta que a maior parte da matéria-prima seja extraída na região em questão. Exemplo: vinhos da serra gaúcha
Denominação de origem: versão mais sofisticada das certificações, determina a região de origem de 100% da matéria-prima e as características e a qualidade da produção. Não existe nenhum produto ou serviço com esse selo no Brasil. Exemplo: vinho do Porto
Fonte: Diário Catarinense
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