Estado foi pioneiro no oferecimento deste serviço
Mel com qualidade e procedência garantida. Esse é o objetivo de um projeto de apicultura desenvolvido pelo SEBRAE/SC, que levou para o mercado o primeiro sistema de rastreamento completo feito por um grupo de 30 apicultores que formam a Associação dos Produtores de Mel da Encosta da Serra dos municípios de São José, São Bonifácio, Santo Amaro, Águas Mornas, Angelina e Anitápolis.
O objetivo é conseguir não rastrear só dentro da unidade produtiva, mas ao longo da cadeia produtiva e levar essa informação até o final da cadeia, que é o consumidor. O sistema de rastreabilidade foi desenvolvido em uma empresa de Florianópolis. Ao todo, 30 apicultores estão cadastrados e eles produzem 40 toneladas de mel por ano. As informações sobre cada pote estão na internet para qualquer cliente ver. Basta acessar o site www.paripassu.com.br e digitar o código da embalagem do mel. O cliente descobre o nome do apicultor, detalhes da produção e até a rota percorrida do apiário até o supermercado. O serviço inclui fotos e mapas. As informações que abastecem o sistema são fornecidas pelos produtores ao entreposto que faz o fracionamento do mel.
Esse rastreamento permite localizar um lote inteiro de mel, que é distribuído em vários pontos de venda, e isso fortalece o consumidor final, porque ele começa a comprar e consumir um produto do qual sabe a origem e a qualidade.
Em Santa Catarina há 30.000 apicultores profissionais em atividade que produzem 6.000 toneladas de mel por ano, 15% dos quais tem na apicultura sua principal fonte de renda. O SEBRAE/SC trabalha com dois projetos: o APL (arranjo produtivo local) de Apicultura do Extremo Oeste, atendendo os municípios de São Miguel d'Oeste, Itapiranga, Dionísio Cerqueira, São José do Cedro e, o projeto da Grande Florianópolis, envolvendo São José, Angelina, Anitápolis e Águas Mornas.
Um dos produtores que já utiliza a rastreabilidade é a Vera da Silva Candido, da Encosta da Serra, que participa da 4ª Vitrine SEBRAE – Aroma, Sabor & ArteCatarina, realizada pelo SEBRAE/SC no vão central do Beiramar Shopping em Florianópolis.
“Toda essa nova tecnologia nos permite cada vez mais acesso a novos mercados, os resultados têm sido bem satisfatórios, com um aumento na confiabilidade dos clientes, uma vez que antes tínhamos dificuldades em provar que nosso mel não era falsificado”, comenta Vera.
A produtora ressalta que com todos os cursos e aperfeiçoamentos proporcionados pelo SEBRAE/SC a associação registrou 20% de crescimento em suas vendas. Com a rastreabilidade tanto o cliente quanto o produtor saíram ganhando, o cliente por saber a procedência do produto que está adquirindo e o produtor teve se produto valorizado. “Antes o produtor recebia R$ 3,50 por kilo de mel vendido e com a implantação do sistema passou a receber R$ 5,00, um acréscimo representativo”, afirma Vera.
Santa Catarina é segundo maior produtor de mel do país. O movimento econômico da produção de mel no estado chega a 300 milhões de reais por safra. Apesar desse grande contingente, apenas 15% dos produtores atuam empresarialmente. Além do grande mercado interno, Santa Catarina exporta para a Europa e Estados Unidos.
“Outro fator importante foi o faturamento da associação, ano a ano estamos percebendo uma crescente, fechamos 2010 com 25 mil reais de faturamento, o que representou 50% a mais do que o registrado no ano de 2009”, explica Vera da Silva Candido.
Produtores alertam para os produtos artesanais
Um dos grandes problemas enfrentados hoje pelos apicultores no estado é a produção artesanal, que muitas vezes não respeita as normas do Ministério da Agricultura, nos quais o produto é produzido de forma irregular, com a utilização de produto químicos, os apiários são instalados em locais impróprios, desvalorizando o produto.
“Sempre alertamos aos consumidores a comprarem apenas o mel e também demias produtos que possuem a certificação e rastreabilidade. Nós não usamos produtos químicos, e os nosso apiários são instalados longe de qualquer fonte de poluentes, como as estradas. Além disso, as colméias são padronizadas, tudo isso para levar o melhor produto para nosso consumidor”, finaliza Vera.
Fonte: Adriana Laffin - Jornalista
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